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Janela ou Corredor? El Calafate: dicas de essenciais de viagem bagagem timberland

Dicas essenciais de El Calafate

Para facilitar a vida dos leitores, resumimos nossa viagem em um post com informações sobre El Calafate, El Chaltén, Perito Moreno e uma parada estratégica em Buenos Aires.

Primeiro passo: não interessa se a sua companhia escolhida disse que é possível despachar a sua bagagem direto para El Calafate. Ao chegar em Buenos Aires, a sua escala para El Calafate, você terá que pegar a sua mala, passar em um novo Raio X e despachá-la para o destino final com 4 horas de antecedência mínima. Ou seja, se o seu vôo chegou em Buenos Aires 8 horas antes do embarque para El Calafate, você terá que passar esse tempo todo com a sua mala. Portanto, pense bem no peso da sua mochila ou na mobilidade da sua mala e considere este fator na sua programação na cidade, caso queira sair para passear. Se ficar no aeroporto tenha em mente que não há nada para se fazer, apenas tomar café espresso, ler La Nación e dormir no chão. Por conta das suas malas, você só entrará na sala de embarque duas horas antes do seu vôo.

Eu resolvi sair e fui ao Hotel Faena de taxi contratado com o Alejandro Canedo, o taxista mais confiável de Buenos Aires. Pode buscar no Google: o Alejandro é realmente o melhor. Pontual, honesto e com a melhor conversão de dólar para peso que existe no mercado! O contato dele é aleecareca@gmail.com. Entre em contato com ele por e-mail para passar os detalhes da sua chegada a Buenos Aires (quantidade de pessoas, número do vôo e destino do taxi) e ele ou alguém de sua equipe estará de esperando no aeroporto, seja Ezeiza ou Aeroparque. Fui do Aeroparque para o Faena por 40 reais para três passageiros (ele aceita reais como pagamento) e troquei dólares a 8,7 pesos, bem acima da cotação oficial. Além disto o Alejandro ensina a verificar notas falsas, tanto de peso quanto dólar. Muito profissional.

Cheguei em Buenos Aires em uma sexta-feira, e fui ao Faena porque sabia que havia um show bem interessante no bar da piscina. A consumação mínima é de 200 pesos, pagos em cartão ou dinheiro, dólares ou pesos, e deixamos as malas na própria recepção do hotel, sem nenhum problema ou custo adicional (só o da gorjeta, claro).

Informação importante: uma vez em Buenos Aires, aproveite para trocar seus dólares com o Alejandro. Em El Calafate a cotação segue o mesmo padrão, de 6,5 a 7,5. Geralmente os lugares aceitam muito bem cartão de crédito, mas se houver qualquer problema de comunicação com internet ou telefone, a cidade inteira fica ilhada, e inclusive pode complicar na hora de reservar os passeios. Por isso recomendo que se leve pesos argentinos também, mas apenas se for trocado em Buenos Aires, senão não vale a pena. Eu tive problemas para reservar um dos passeios porque a internet na cidade havia caído por um dia inteiro e tive que voltar a cidade no dia seguinte para acertar todos os detalhes. Ou seja, fiquei um dia sem fazer nada por lá.

Chegando em El Calafate, recomendo o transfer Vespatagônia. Para hotéis mais distantes do centro custa 70 pesos por pessoa, e para hotéis no centro, 60. O pagamento pode ser feito em cartão de crédito ou em espécie, e recomendo a reserva pelo site. Eles garantem o atendimento a todos os passageiros, mas se você já tiver a reserva, tem prioridade no embarque da van. Há descontos para pagamento de ida e volta.

Se seus planos na Patagônia consistem em trekking e caminhadas pelo gelo, do básico ao intermediário, aqui está a lista de itens essenciais para a sua viagem:

Mochila pequena, de preferência impermeável ou resistente à água

Tênis de trekking ou bota de trekking. Deixe seus tênis de academia ou All Star em casa, se não quiser passar raiva.

Lancheira que caiba na mochila (eu carrego esta aqui para cima e para baixo com barrinhas de cereais, frutas e água). A minha eu comprei na Columbia.

Dinheiro trocado em pesos (a entrada em Perito Moreno custa 90 pesos argentinos e não aceita cartão)

Meias confortáveis. Existe tecnologia para meias também. Não use nenhuma que custe menos de 10 reais (isso é mais importante que o próprio tênis, vá por mim).

Casaco. Mas, ATENÇÃO, casaco para esporte resistente a água e a vento! Se não o tiver, há diversas lojas na cidade como Columbia e revendedoras de Nexxt, The North Face, Timberland e Mammut para você preparar o seu enxoval do esportista de inverno. Os preços são razoáveis.

Luvas. Depois das meias, o item mais importante. Recomendo luvas de ski (também estão à venda nas lojas da cidade).

Calça de ski. Não é obrigatório, mas eu recomendo porque também segura o vento e o frio das geleiras. Dá para ir de calça jeans.

Gorro ou aquelas faixas de cabeça de esquiador. A não ser que você queira parecer um motoqueiro que veio do Atacama para cá, e nunca mais queira desembaraçar o seus cabelos. Eu mesma fiquei dois dias com dreadlocks involuntários por conta do vendaval. Meu cabelo basicamente ficou assim:

Sobre Perito Moreno:

Assim que chegar a El Calafate, procure a Hielo y Aventura, no centro da cidade, e feche seu pacote em dólares. Foi lá que consegui a melhor conversão de pesos para dólares, depois do Alejandro: 1 para 10. O passeio de um dia inteiro para Perito Moreno de ônibus, 10 minutos de barco e o trekking no gelo custou 80 dólares. É o mais barato da cidade e não pecam em nada! E por este preço buscam e deixam no hotel.

Este é o único momento que você precisará de luvas, porque venta DE VERDADE, é frio e se você fizer o trekking no gelo, é obrigado a tê-las por questão de segurança.

Todos irão dizer que não há o que comer em Perito Moreno mas não é verdade. Existe uma lanchonete lá no parque, bem mais barata que o preço dos lanchinhos que os hotéis vendem para quem sai para esses passeios. Não testei os produtos, mas tirei foto do cardápio. Lanches prontos dos hotéis custam em torno de 100 pesos. E há, também, um supermercado La Anónima na cidade.

O segundo passeio que você pode querer fazer é visitar El Chaltén. Recomendo porque achei a cidade um charme, mas não recomendo o meu passeio, apenas a empresa que escolhi: Viva Patagonia!, ao lado do cassino, também no centro da cidade. Não recomendo o meu passeio porque escolhi o Full Day em El Chaltén, que fica distante uns 220 km de El Calafate (ou seja, toma um tempo de ida e volta), e na chegada, nos levam para um lugar mais distante para almoçar e depois para um passeio de barco de duas horas para ver o Glaciar Viedma. É bem menor que Perito Moreno, mas muito bonito, só que não acho que valha a pena passar tanto tempo dentro de uma van para o almoço (40 minutos por trecho) e em um barco mais 2 horas. Este passeio me custou 890 pesos, e por mais 300 pesos, faria quase o mesmo tour, com a mesma empresa, tirando o almoço na fazenda longe (que apelidamos de Crystal Lake) para fazer um trekking no gelo um pouco mais hardcore que o Perito Moreno. Acho que vale mais a pena porque também inclui a parte do barco por ser caminho para o trekking. Tirando isso, recomendo a empresa, que dá total apoio e uns lanchinhos no barco e no ônibus (água, café e alfajor), e também leva e busca ao hotel. Eu gostaria de ter ficado mais na cidade porque ela é realmente uma graça.

Em El Calafate fiquei no Hotel Design Suites e AMEI! Custa 150 dólares por noite (quarto duplo) com café da manhã, piscina aquecida e uma vista para o Lago Argentino de chorar. Como ele fica mais distante da cidade, disponibiliza transporte gratuito para a cidade a partir das 18h00 e retorno para o hotel por hora a partir de 18h15, até às 22h15.

Estes foram os únicos passeios que fiz na cidade, e vi que há algumas outras opções como ir ao Ushuaia de ônibus (imagino que não seja ida e volta no mesmo dia), rafting, tirolesa, estâncias para andar a cavalo e ida e volta a Torres Del Paine. Este último não fiz porque minha viagem seguia para o Chile, Puerto Natales, mas depois descobri que é mais fácil e até melhor ir de El Calafate para lá porque: 1) não tem muito o que se fazer em Puerto Natales 2) o Chile é mais caro que a Argentina e 3) em Torres Del Paine você tem três opções: Full Day Tour (do Chile custa 50 dólares por pessoa mais a entrada do Parque, 32 dólares), o circuito W de 5 dias e o circuito O de 14 dias. Então, em qualquer uma das opções, é melhor sair e voltar para a Argentina.

Se mesmo assim você ainda quiser ir para Puerto Natales, verifique a disponibilidade dos transportes públicos para lá. O Buses Pacheco tem os horários disponíveis no site mas estão desatualizados e eles não respondem a e-mails quando enviados pelo site (mas te dou outra dica: mande um email para o pacheconatales@gmail.com que eles respondem na hora e ainda reservam o seu assento) e não funcionam em feriados nacionais. Como reservei os hotéis e deixei para ver os transportes depois, não consegui transporte nenhum para o dia 25 de dezembro, e tive que contratar um traslado particular para Puerto Natales por 390 dólares para 3 pessoas.

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  • Diego Albuquerque

    Pessoal, muito legais as dicas de vocês. Primeira pergunta: Vocês optaram por levar Dolar ? Pq não levaram Real mesmo ? Acaba que usando dolar você tem que fazer duas conversões. Aqui e lá.

    • Janela ou Corredor

      Oi Diego!
      Levamos dólares e um pouco de real. A vantagem do dólar é que na Argentina ele está muito valorizado, e acaba compensando mais do que levar outras moedas. Não sou de levar muito dinheiro em espécie, mas no caso da Argentina vale a pena por conta da valorização (a conversão oficial é 6,47 e a “azul”, 8 ou 9).

    • Thaísa

      Oi Diego!
      Levamos dólares e um pouco de real. A vantagem do dólar é que na Argentina ele está muito valorizado, e acaba compensando mais do que levar outras moedas. Não sou de levar muito dinheiro em espécie, mas no caso da Argentina vale a pena por conta da valorização (a conversão oficial é 6,47 e a “azul”, 8 ou 9).

  • Patricia

    Olá! Muito legal o relato! Parabéns!
    Estou indo para El Calafate e El Chaltén em abril. Você saberia me dizer se a Viva Patagônia também aceita pagamento em dólar? O câmbio deles é tão vantajoso como da Hielo y Aventura?
    Patrícia.

    • Janela ou Corredor

      Oi Patrícia!
      O melhor câmbio da cidade é, de fato da Hielo, mas o da Viva não é dos piores. Eles aceitam dólar e cartão.
      Aproveite sua viagem!

  • Nádia Maria Elias

    Olá, adorei o relato. Parabéns!
    Queria saber se vocês acham necessário alugar um carro em El Calafate para 2 dias de viagem no inverno?
    É melhor ficar no centro ou é tranquilo ficar em hotéis mais afastados?

    Obrigada!

  • Cintia Gomes

    Olá, qual o nome doOlá, qual o nome do Passeio que você se arrependeu de não ter feito em El Chalten com a Viva Patagonia. Obrigada. Passeio que você se arrependeu de não ter feito em El Chalten com a Viva Patagonia. Obrigada.

    • Janela ou Corredor

      Oi Cintia! O passeio é o da Cueva del Milodón! Não recomendo porque é uma caverna sem graça demais.
      Um abraço!

    • Janela ou Corredor

      Oi Cintia! O passeio é o da Cueva del Milodón! Não recomendo porque é uma caverna sem graça demais.
      Um abraço!


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by admin • August 19, 2012 • America Latina, Consumo, guias • Comments (0) • 3418

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GUIA DE COMPRAS EM SANTIAGO

Como o imposto sobre compras e importação é menor, os produtos costumam ser mais baratos, de 10% a 20%. Em lojas de departamentos ou outlets, essa diferença aumenta para 30%, 40% ou mais. Mas muitas coisas tem o mesmo preço de lojas brasileiras na promoção, por isso muita atenção para não pagar excesso de bagagem. O que vale a pena? Em termos de vestuário, as marcas de grife. Mas isso para quem está disposto a pagar R$ 150 a R$200 por peça, que aqui custam R$300 a R$ 400.

——————————————————-

Vamos aos destaques de SHOPPINGS.

MALL ALTO LAS CONDES - Avda Presidente Kennedy 9001. Não tem metrô por perto, tem que pegar taxi (de Los Dominicos) ou ônibus do próprio shopping ou ônibus coletivo C11, C15, 406 ou 426 da Escuela Militar; de Manquehue, pegar o 406 ou 426; ou de Los Dominicos, pegar o D11; Do Parque Arauco, pegar o C11 e C15 (Transantiago)

Transporte exclusivo e gratuito todos os dias da semana, saindo de hotéis selecionados ao shopping Alto Las Condes. Na volta, você poderá pegar o transporte no Módulo de Atendimento ao Turista, em qualquer dos três horários: 16:15, 18:20 e 20:30 horas.

http://www.cencosudshopping.cl/altolascondes

(fotos do site oficial)

Lojas âncoras (Grandes Tiendas): Fallabella, Ripley, Paris Esporte: Adidas, Puma, Nike, Reebok, Timberland, Columbia (roupas de frio). Bolsas: Jansport, Kipling, Samsonite Roupas: Laura Ashley, Vitamina, Ellus, Calvin Klein, Levi’s, Lacoste, Ralph Lauren, Tommy Hilfinger, TopShop (marca inglesa), Oakley, Hugo Boss, Paco Rabanne Supermercado Jumbo Acompanhe pelo site oficial do shopping sobre promoções nas lojas.

——————————————- PARQUE ARAUCO www.parquearauco.cl – Horário 11h00 às 21h00

Shopping amplo, o mais conhecido entre turistas. Tem as mesmas Grandes Tiendas (que são as lojas âncoras) que o Condes, como Fallabella, Ripley e Paris.

 

TRANSPORTE: do próprio shopping Gratuito de alguns hotéis, pelo Telefones de atenção Serviço de Turismo: (56-2) 299 0503. Estação mais próxima é a Escuela Militar ou Manquehue, cerca de 15 minutos andando (1km). ou pegar o ônibus C11 ou C20. Setor Diversão: Cinema, teatro, boliche, galeria de arte e pista de patinação no gelo Roupas: Vans, Lewis, Diesel, Guess, Polo Ralph Lauren, Tommy Hilfiger, Lacoste

———————————

PATIO BELLAVISTA – Constitución, 30 – 70 patiobellavista.cl

O forte é artesanato e decoração.

(foto: site oficial)

———————————————- MALLSPORT Av. Las Condes 13451 – Las Condes. www.mallsport.cl Setor Diversão: piscina de ondas, muro de escalada, boliche e paintball .

——————————— MALL PANORAMICO (agora MallVIVO) 10:00 a 21:00 hrs.

Rua Ricardo Lyon com 11 de Septiembre, 2155 metrô Pedro de Valdivia, Providencia – http://vivopanoramico.mallvivo.cl/

130 lojas, de nome não muito conhecido., mas fica à mão para quem está em Providência, além de ter casa de câmbio e lugares para comer.

——————————— ARTESANATO:

Loja ONA, Feria de Los Dominicos, Cerro Santa Lucia, Bairro do Patronato, GRIFES CHIQUES Rua Alonso Córdova

PATRONATO (pechinchas) Algo como o Bom Retiro, ou seja, uma perdição ao mesmo tempo que uma bagunça. Outlet Ellus (da Ellus mesmo): Rua Patronato 295 Multimarcas NY Outlet – Rua Patronato 45

LOJA PARA VINHOS – elmundodelvino.cl El Mundo del Vino Av. Isidora Goyenechea, 3000, Las Condes

——————————- OUTLETS Arauco Outlet Mall: Ave. Américo Vespucio, Comuna Maipú, a 5 minutos do aeroporto. È o único centro comercial da América do Sul que oferece interessantes descontos durante todo o ano.

Buenaventura Premium Outlet San Ignacio 500 – Quilicura. www.buenaventurapremium.cl

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duas ou três coisas

notas pouco diárias de Francisco Seixas da Costa

domingo, 31 de julho de 2011

Lídia Jorge

Já passava das três da manhã quando, num "zapping", surgiu na SIC Notícias uma conversa de Lídia Jorge com António José Teixeira. Fiquei a ver e ouvir até às quatro. Com grande proveito.
Lídia Jorge é uma intelectual atípica. Fala sobre as coisas com uma desarmante sinceridade, sem aqueles falsos improvisos, recheados de frases feitas (e testadas), que alguns dos seus colegas escritores utilizam, para se darem ares de grande originalidade, em especial quando são chamados a pronunciarem-se sobre temas do quotidiano. Há uma candura quase provocatória naquilo que diz, na forma simples, mas ao mesmo tempo profunda, como olha à sua volta, à nossa volta.
À inteligência das questões colocadas pelo António José Teixeira, a escritora não retorquiu com circunlóquios, mesmo quando os temas eram delicados e a curiosidade do entrevistador se mostrava intrusiva, como ´no da política interna da atualidade. Respondeu sempre, serena, genuína, revelando dúvidas, interrogando-se. E ajudando a interrogarmo-nos.
Há muito que gosto de ouvir e ler Lídia Jorge falando de nós, dos portugueses, com uma postura crítica sem auto-flagelação, com uma compreensão por onde perpassa a subliminar tristeza, que também nos é comum, de que tudo "tenha de ser assim". É a atitude de alguém que percebe o país, mas que não desiste dele, que não se refugia numa espécie de desespero cívico.
Posso estar enganado, mas tenho a sensação de que muitos de quantos possam assistir a esta entrevista sentir-se-ão identificados aquilo que Lídia Jorge nela diz.   
Em tempo: Lídia Jorge passou a colaborar, aos sábados e domingos, com umaa notas algarvias no "Público". A julgar pelas primeira, vale a pena não perdê-las.  Publicado por Francisco Seixas da Costa à(s) 23:37 12 comentários: Etiquetas: Figuras, Literatura, Notas soltas

sábado, 30 de julho de 2011

Passos perdidos

Café de S. Bento. Fragmentos de um discurso ocioso.
- É incrível, o tipo lá conseguiu ser eleito outra vez deputado. Na legislatura anterior, não abriu o bico. Nem nas comissões! E põem-no outra vez nas listas. É um escândalo!
- É preciso dar tempo ao tempo. Consta até que já está a preparar um projeto de lei.
- Não acredito! É um calaceiro. Não é capaz de apresentar nada. Que lei é?
- A lei do menor esforço... Publicado por Francisco Seixas da Costa à(s) 23:10 10 comentários: Etiquetas: Humor, Política portuguesa

"Faturinha" ?

- Vai querer faturinha?
Irrita-me esta pergunta, frequente no final das refeições em restaurantes portugueses. Claro que quero sempre "faturinha", na ilusória esperança de que, assim procedendo, estarei a contribuir para evitar a evasão fiscal (depois, deito fora o papelinho, de imediato) e para que o Estado não seja lesado. Aliás, acho que deveria ser punível, por lei, fazer a pergunta e que a fatura, como acontece em muitos países decentes (e até em alguns que o são menos), deveria suceder-se, de forma automática, ao pagamento.
- Se quer faturinha vai ter de me dar um número fiscal e um nome completo.
Esta nunca me tinha acontecido! Mas surgiu-me hoje, depois de um almoço num restaurante. Essa agora! Se assim for, só alguns bem afortunados da economia privada, que podem descontar almoços e jantares no IRC ou no IRS, por deduções fiscais alfaiatadas à sua medida, é que passarão a dar-se ao trabalho de transmitir os seus dados pessoais (ou da empresa, o que é mais certo) para a emissão da fatura. Os restantes cidadãos, nomeadamente os trabalhadores por conta de outrém (como é o meu caso), que pedem fatura apenas para terem a certeza cívica de que os proprietários dessas casas comerciais pagam os impostos devidos, tenderão a não ter esse trabalho cumulativo, que implica uma tarefa extra aos restaurantes e a perda de tempo. E é assim que se estimula a evasão fiscal, que todos dizem condenar.
Entre a sábia legião de leitores deste blogue alguém pode esclarecer (1) se é obrigatório ou não emitir sempre fatura, mesmo sem pedido expresso, e (e) se somos ou não obrigados a dar um nome e número de contribuinte para a emissão da mesma? Publicado por Francisco Seixas da Costa à(s) 16:10 15 comentários: Etiquetas: Economia, Notas soltas

sexta-feira, 29 de julho de 2011

A revisão da Constituição

A conversa estava solta e animada. Na sala daquela família burguesa da Foz portuense, discutia-se, entre amigos, a situação política decorrente das recentes eleições. Não havia grandes diferenças ideológicas entre os presentes, todos favoráveis aos "novos ventos". A certo passo, veio à baila o tema da revisão da Constituição. Revelavam-se divergentes as opiniões sobre o interesse de, nesta fase da vida política nacional, introduzir um debate que, segundo alguns, poderia abrir clivagens indesejáveis no seio novo espetro parlamentar. Outros, mais radicais, consideravam, precisamente, que era importante aproveitar a nova relação de forças para acabar com o que consideravam ser os "anacronismos" existentes no texto fundamental, ainda muito tributário dos tempos revolucionários dos anos 70.
O David era um dos membros da família a quem estas coisas da política pouco diziam. Com quase quarenta anos, sabia-se que o seu voto havia sido sempre no lado conservador, com variações de partido, mas raramente dava uma opinião sobre esses temas. As "guerras" em que se metia, como feroz portista que era, situavam-se, maioritariamente, no futebol. A mais recente tinha a ver com a "traição" do Villas Boas, que trocara o Dragão por Stamford Bridge. Aí sim, era um radical impenitente.
Por isso, todos estranharam que, ao passar da varanda para a sala, em busca de uma cervejas, tivesse lançado, para o grupo: "Pois eu, cá por mim, sou favorável a que se façam mudanças na Constituição". E logo saíu, em direção à cozinha, sem dar mais pormenores sobre as suas opções concretas na matéria. Todos se entreolharam, estranhando esta inesperada tomada de posição, tanto mais que o David não participara em nenhuma fase da conversa, onde se tinham abordado as questões laborais e de saúde. Ninguém ligou muito.
Minutos depois, o David reapareceu, sobraçando umas cervejas e alguém perguntou: "Ó David, diz lá então o que é que gostarias que mudasse na Constituição".

O David parou junto à saída para a varanda, refletiu um instante e adiantou: "Olhem! Para já, acho que deviam fazer uma rotunda no cruzamento com a Oliveira Monteiro. Assim como está é muito perigoso".
Esta história, com poucas semanas, foi-me contada por amigos do Porto, onde se situa a rua da Constituição. E quase só tem graça para eles. Mas ela aqui fica, nestas minha férias nortenhas.  Publicado por Francisco Seixas da Costa à(s) 23:05 7 comentários: Etiquetas: Humor

Despedidas

Estão na moda as despedidas da escrita antiga, agora que o Acordo Ortográfico vai, contra ventos, marés e Graças Mouras, entrar definitivamente em vigor.
Ontem, chegou-me este delicioso texto:
"Quando eu escrevo a palavra ação, por magia ou pirraça, o computador retira automaticamente o c na pretensão de me ensinar a nova grafia. De forma que, aos poucos, sem precisar de ajuda, eu próprio vou tirando as consoantes que, ao que parece, estavam a mais na língua portuguesa. 
Custa-me despedir-me daquelas letras que tanto fizeram por mim. 
São muitos anos de convívio. Lembro-me da forma discreta e silenciosa como todos estes cês e pês me acompanharam em tantos textos e livros desde a infância. Na primária, por vezes gritavam ofendidos na caneta vermelha da professora: não te esqueças de mim! 
Com o tempo, fui-me habituando à sua existência muda, como quem diz, sei que não falas, mas ainda bem que estás aí. E agora as palavras já nem parecem as mesmas. O que é ser proativo? Custa-me admitir que, de um dia para o outro, passei a trabalhar numa redação, que há espetadores nos espetáculos e alguns também nos frangos, que os atores atuam e que, ao segundo ato, eu ato os meus sapatos. 
Depois há os intrusos, sobretudo o erre, que tornou algumas palavras arrevesadas e arranhadas, como neorrealismo ou autorretrato. Caíram hifenes e entraram erres que andavam errantes. É uma união de facto, para não errar tenho a obrigação de os acolher como se fossem família. 
Em 'há de' há um divórcio, não vale a pena criar uma linha entre eles, porque já não se entendem. Em veem e leem, por uma questão de fraternidade, os és passaram a ser gémeos, nenhum usa chapéu. E os meses perderam importância e dignidade, não havia motivo para terem privilégios, janeiro, fevereiro, março são tão importantes como peixe, flor, avião. Não sei se estou a ser suscetível, mas sem p algumas palavras são uma autêntica deceção, mas por outro lado é ótimo que já não tenham.
As palavras transformam-nos. Como um menino que muda de escola, sei que vou ter saudades, mas é tempo de crescer e encontrar novos amigos.
Sei que tudo vai correr bem, espero que a ausência do cê não me faça perder a direção, nem me fracione, nem quero tropeçar em algum objeto abjeto. Porque, verdade seja dita, hoje em dia, não se pode ser atual nem atuante com um cê a atrapalhar." Publicado por Francisco Seixas da Costa à(s) 12:05 34 comentários: Etiquetas: Humor, Língua portuguesa

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Pélvico

Fora simpática a iniciativa daquele embaixador português, numa certa capital europeia, de oferecer um cocktail de despedida ao colega que estava acreditado junto de uma organização internacional, na mesma cidade, e que ia regressar a Lisboa. Algumas dezenas de amigos tinham sido convidados para a ocasião, que tinha muito de genuína, porque os dois diplomatas tinham, de facto, uma saudável e boa relação entre si.
Chegada a hora dos discursos, o dono da casa foi pródigo em elogios ao colega que partia, sublinhando, com ênfase, a ligação de amizade e grande simpatia que mantinham. O que ninguém estava à espera é que, no entusiasmo das palavras, lhe tivesse saído, a certo passo, a afirmação: "Nós os dois temos uma proximidade pélvica!".
A sala estacou de surpresa. Que diabo?! "Uma proximidade pélvica"? O homenageado cofiou a barba e manteve o sorriso, nesse momento já um pouco mais amarelo, evitando olhar para os circunstantes, muitos dos quais abafavam risadas e trocavam divertidos e surpreendidos olhares. Com o prosseguimento do discurso, o efeito da expressão foi-se diluindo e, fixada que fora a estranheza pela frase, a maioria dos presentes como que esqueceu o episódio.
No dia seguinte, porém, um dos diplomatas da casa, mais ousado e próximo do embaixador, não resistiu a perguntar-lhe: "O senhor embaixador desculpará, mas ontem, na receção, não percebi bem o que quis significar, ao dizer que tinha uma "proximidade pélvica" com o seu homenageado".
O embaixador olhou-o do alto dos seus óculos grossos, com a cara grave habitual, que não significava zanga mas era apenas um estilo, e esclareceu: "Não percebeste? Essa agora?! Quis dizer que nós tínhamos uma grande ligação, que sentíamos as coisas na pele da mesma forma, uma proximidade "pélvica", de pele...
Realmente, a língua portuguesa é muito traiçoeira.  Publicado por Francisco Seixas da Costa à(s) 23:15 6 comentários: Etiquetas: Diplomacia portuguesa, Histórias da diplomacia

Sortido fino

Há pouco tempo, surgiu um blogue que dá pelo nome revivalista de "O destino marca a hora"* e que se carateriza, além de outras coisas, pelo uso de belas fotografias.
O mais curioso, e que justifica esta nota, é o facto de nele se recomendarem alguns blogues através de qualificações sintéticas. A nós, coube-nos "sortido fino". Citando Américo Tomaz, "só tenho para isso um adjetivo: gostei!" Publicado por Francisco Seixas da Costa à(s) 13:17 13 comentários: Etiquetas: Blogue(s), Exclamações

Silêncios

Há algumas décadas, um amigo europeu, quase nórdico, fez-me notar que, em qualquer noite portuguesa, por mais campestre que ela fosse, havia sempre o risco de se ouvir, ao longe, o som irritante de uma motorizada. E que os portugueses também já davam por adquirido esse acervo antropológico consuetudinário que eram os sinos horários das igrejas ou o som difuso das festas de verão. Enfim, para esse meu amigo, os portugueses haviam já perdido o prazer do silêncio.
Nunca havia atentado muito nisso mas, a partir de então, fiquei a matutar um pouco mais no valor dos silêncios. E passei a dedicar-me à sua procura quase militante e a racionalizar o gozo que, na realidade, deles sempre retirava. Trazia-os comigo da adolescência, quando Vila Real tinha madrugadas de intensa serenidade. Arquivei, depois, na memória, algumas noites norueguesas quase perfeitas, um certo silêncio de uma madrugade no Mussulo, uma insónia na varanda de um hotel incómodo em Fergana, no Usebequistão, e, maravilha das maravilhas!, uma absoluta ausência de ruídos no deserto de Wadi Rum, no sul da Jordânia.  
Mas continua a haver na minha vida um silêncio especial, que nunca esquecerei: uma noite, no oeste da Escócia, na Isle of Skye, nos anos 90. Tinha ido por lá em busca de um "bed & breakfast" que me diziam ter um restaurante soberbo (de um antigo cozinheiro do Martins - escreve-se assim, sem apóstrofo, à portuguesa - de Edimburgo) e, também, para tentar confirmar uma teoria sobre o aumento do teor de "pit" nos whiskies de malte, de oriente para ocidente da região, o que me obrigou a uma peregrinação de estudo por destilarias escocesas, que quase doutorou o meu fígado. Nessa noite, saí para passear a digestão algumas centenas de metros fora do hotel e, foi então que, pela primeira vez desde sempre, "ouvi" um verdadeiro silêncio. Nem motorizadas à distância, nem grilos nas bermas, nem vento nas ausentes árvores, nem nada. Apenas um magnífico e profundo silêncio, seco e chocante, como nunca tinha experimentado. Para um mortal não habituado, a força dele até soava a estranho.
Confesso que sou hoje um consumidor obsessivo de silêncios, que os procuro de forma ansiosa em todos os locais onde me alojo. Mas, geralmente, e porque passei a viver em cidades, onde sempre sobrevive um "bruá" de fundo, com maior ou menor intensidade, raramente tenho a sorte de me reencontrar com os grandes silêncios. Acho, aliás, que à maioria das pessoas, cidadãos urbanos, isto já nem é uma questão que se coloque, porque foram habituadas a viver assim, com esse residual cenário auditivo nas suas vidas. Pensei nisto quando morei em Nova Iorque, que tem um dos mais belos ruídos urbanos do mundo. Ou, pelo menos, é isso que nós somos levados a pensar, na relativização da inevitabilidade das coisas.
Mas ainda não desisti, por completo, de colecionar silêncios. Por isso, nas noites campestres que posso ir tendo, descontados os sons ínfimos da natureza, continuo um seu incurável consumidor.

Ontem, numa madrugada na varanda de uma certa casa, onde há anos me entretenho, pelos verões, a procurar essa suprema paz auditiva, fui surpreendido com a persistência de um certo som de fundo, contínuo, uma espécie de "zoeira" que poderia identificar-se a um ruído distante de um avião. Fiquei à espera que o som passasse. Qual quê! Continuava. Foi então que, olhando uma luz vermelha no alto do monte fui levado a concluir que esse ruído incontornável (desculpem o adjetivo jornalístico, tão feio como o ruído) era, nem mais nem menos, o som de uma dessas pás eólicas que fazem as delícias estatísticas das nossas energias alternativas.
Depois do meu carro ter sido, há semanas, proibido de circular na Baixa lisboeta por excesso de produção de CO2, ver o sagrado silêncio das minhas noites rurais poluído pelo ruído desses moínhos de nova geração coloca-me irreversivelmente em rota de colisão com o mundo "sustentável". Desculpem lá!     Publicado por Francisco Seixas da Costa à(s) 01:41 16 comentários: Etiquetas: Memórias, Notas soltas

terça-feira, 26 de julho de 2011

Par de óculos

Nunca foi homem de abraços e gestos leves. A afetividade, naquele embaixador, homem grande e de movimentos largos, traduzia-se sempre por fortes amplexos, palmadas nas costas, acompanhados por sonoras manifestações de regozijo pelos reencontros.

Ao cruzá-lo nesse dia, naquele corredor das Necessidades, o diretor-geral, "civil servant" antigo, oriundo das Finanças ultramarinas, onde fizera carreira de mérito, figura pequena e levemente inclinada para a frente, deixou-se embrulhar pelo entusiasmado e imenso diplomata, que ia produzindo frases de sincero contentamento por vê-lo.
Mas o estalido não enganou. O choque dos peitos, no amigável encontro, teve como dano colateral os óculos do diretor-geral, colocados no bolso superior esquerdo do casaco. Recompondo-se, procurou com dois dedos a armação, logo sentindo um chocalhar de pedaços, a cair pela algibeira abaixo. Discreto como era, nada disse. O amigo embaixador nem sequer havia notado os efeitos da sua colisão frontal, seguindo o seu caminho, depois de deixar uma palmada mais nas costas do diretor-geral, com este já a planear passar pelo oculista.
Decorreram uns meses. O cenário foi outro, o restaurante de um hotel. Acordado por um berro cordial, o diretor-geral vislumbrou o coreográfico diplomata, que já o saudava à distância, com os braços levantados, a voz forte a atroar a sala.

Um novo, enérgico e "fatal" abraço adivinhava-se, para instantes depois. O diretor-geral, já "escaldado", levou a mão ao bolso superior do casaco e, prudente, retirou deles os novos óculos, bem caros, por sinal! E guardou-os na mão fechada, não fosse o diabo tecê-las!

O embaixador, previsível, avançou para um imenso amplexo. Mas, desta vez, o diretor-geral pode entregar-se-lhe com confiança. Os óculos não ficariam esmagados no bolso, como acontecera da outra vez. Estava, seguros, no seu punho.
Desfeito o abraço, que ideia teve o embaixador? Nem mais nem menos do que agarrar, com força, ambas as mãos do diretor-geral, como testemunho de solidez de uma inquebrantável amizade. Encontrou uma das mãos aberta ao gesto, a outra, porém, com o punho fechado. Como se isso fosse um problema! Agarrou esta última, pela parte de fora e, se o punho estava cerrado, mais cerrado ficou com a força da manápula do diplomata, que indejava entretanto os braços do pobre diretor-geral, para cima e para baixo.

E foi desse punho, cada vez mais fechado, de onde saíam extremidades de uns óculos que o embaixador não vira, que não tardaram em pingar uma pequenas gotas de sangue, misturadas com os vidros do uma lente, que iam sobrando para o chão.
Esta história dos anos 80 - que ficou famosa nos anais do MNE - não recolhe reações posteriores, eventuais desculpas, sólidas contrições seguramente produzidas. Também nunca se ficou a saber se o embaixador foi informado que aqueles eram já os segundos óculos que destruíra ao seu amigo diretor-geral. Publicado por Francisco Seixas da Costa à(s) 23:09 11 comentários: Etiquetas: Diplomacia portuguesa, Histórias da diplomacia

Trajes

Inicio este post por uma declaração de interesses: o meu traje preferido são t-shirt, jeans e Timberland, tudo muito usado. Mas gosto muito de gravatas.
Achei curiosa a dispensa de gravata que, por conjunturais razões climatéricas, foi decidida no ministério da Agricultura, a qual, aliás, repercute a prática que tenho visto seguida, de há muito, em outros serviços públicos. A gravata, em si mesma, está longe de ser um formalizador de circunstâncias e o seu uso não confere ao portador nenhum estatuto particular. Há por aí muito javardo engravatado...

Devo lembrar, contudo, que há códigos comportamentais, internacionalmente aceites e respeitados, que aconselham a que se mantenha um certo formalismo no vestuário, em terminados espaços e momentos públicos. E que a experiência mostra que o uso de certos trajes induz a assunção de certas formas de estar, o que não é indiferente a quem acha - como é o meu caso - que servir o Estado é uma honra que tem de ser assumida.
Tenho a profunda convicção que no ministério dos Negócios Estrangeiros a gravata vai continuar a ser respeitada. Assim, e salvo ordem em contrário, e para que conste, em serviços que eu chefie ela continuará a ser de regra. Enfim, reacionarices...      Publicado por Francisco Seixas da Costa à(s) 19:40 28 comentários: Etiquetas: Notas soltas

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Salvadores

- Com o vento, poucos vão tomar banho, esta tarde.
- Ainda bem! Parece que um dos nadadores-salvadores que anda por aí... não sabe nadar!
Conversa (real) entre pessoas que trabalham na praia do Moledo. Publicado por Francisco Seixas da Costa à(s) 23:01 13 comentários: Etiquetas: Notas soltas

"Todos os fogos o fogo"

Os telejornais preparam-se afanosamente. Já por lá se vêm os primeiro mapas com as chamas. Falta muito pouco para os inenarráveis diretos, para os microfones, tipo corneto, nas mãos das Sónias Cristinas (de onde é que saem, todos os dias, essas novas meninas do jornalismo televisivo ofegante?) de cabelo ao vento, de rapazes de léxico restrito e camisa aberta até ao quarto botão, sempre com chamas ou fumos "do rescaldo" por detrás, berrando evidências, entrevistando populares de balde ou mangueira na mão, revoltados com o mundo e esvaídos de cansaço, a quem colocam questões profundas como "o incêndio esteve quase a atingir a sua casa, não foi?", "acha que os bombeiros são suficientes?" ou o inevitável clássico "como é que se sente?", para tudo esperando respostas inéditas. Chega depois o comandante dos bombeiros, falando, grave, no número de "homens envolvidos no combate ao sinistro", lamentando a escassez de meios aéreos, insinuando supostos incendiários ("Não deixa de ser estranho que tenham surgido três frentes simultâneas..."). Depois, momento áureo, é ouvido um membro do governo em pose estival, com presidentes de Câmaras e presidentes de Juntas ligeiramente atrás, que inventaria o dispositivo e dá nota das rigorosas medidas "já implementadas". Em fundo de cena, a costumeira legião de patetas passeando-se de telemóvel no ouvido, para serem vistos pela prima, lá em casa.
De canal em canal televisivo, o verão noticioso é assim. O mesmo, todos os anos. Só que ninguém pergunta a ninguém se foi feita, a tempo, a limpeza das matas, se se respeitaram as distâncias de segurança entre as residências e as áreas de mato combustível, se foram tomadas as medidas de precaução necessárias, que todos conhecem e ninguém pratica.
Pena é que isto não faça parte do "memorandum of understanding" da "troika"... Publicado por Francisco Seixas da Costa à(s) 15:55 10 comentários: Etiquetas: Media, Notas soltas

Pena de morte

Com pretexto na tragédia norueguesa, algumas vozes voltaram a ecoar a ideia da pena de morte.
É muito interessante, e não menos significativo, que os próprios noruegueses, vítimas de um ato infame, hajam sido os primeiros a mostrar a necessidade de preservarem os valores da sua própria liberdade, evitando reações como as que os americanos tiveram depois do 11 de setembro (já passou uma década, imaginem!). Os noruegueses, que construíram uma sociedade admirável, recusam ficar prisioneiros de um assassino.
A pena de morte é uma imensa prova de fraqueza, uma cobardia feita de desespero.
Portugal orgulha-se de ter sido o primeiro país da Europa a aboliir a pena de morte para crimes civis. À época, em 1876, perante a decisão portuguesa de abandonar o recurso à pena capital, ficou célebre aquilo que Victor Hugo disse do nosso país:
"Está pois a pena de morte abolida nesse nobre Portugal, pequeno povo que tem uma grande história. (…) Felicito a vossa nação. Portugal dá o exemplo à Europa. Desfrutai de antemão essa imensa glória. A Europa imitará Portugal. Morte à morte! Guerra à guerra! Viva a vida! Ódio ao ódio. A liberdade é uma cidade imensa da qual todos somos concidadãos".
Nunca esqueçamos esta honra. Publicado por Francisco Seixas da Costa à(s) 10:08 10 comentários: Etiquetas: Comentários diplomáticos, Notas soltas

domingo, 24 de julho de 2011

Pelo jornais


Este é um verão cruel. Há dias, partiu a Maria José. Hoje, saem de cena o Henrique e a Maria Lúcia.

Nunca me tinha acontecido: olhar um jornal e descobrir, por ele, a morte de um amigo, o local e hora do seu funeral. Fiquei parado, desejando, por um instante, que se tratasse de um confusão de nomes, hipótese logo afastada por outra identificação inequívoca. Morreu o Henrique Bandeira Vieira.

À noite, no telejornal, sou surpreendido com a noticia da morte de Maria Lúcia Lepecki.
No início de Maio, em Paris, o Henrique apareceu-nos, para jantar. Foi um reencontro alegre, uma bela noite de conversa. Meses antes, eu falhara um encontro em sua casa, em Portugal, onde queria juntar-nos com outros amigos. Falámos longamente das pessoas do nosso tempo comum em Angola, onde nos conhecêramos no início da década de 80, dos anos em que depois coincidimos em Londres. Recordámos noites calmas de conversa com a Pascale - em Bruxelas, no Algarve e em Cascais. Era um homem positivo, com uma família unida, com projetos, com vontade, sempre construindo futuros, que progredira, com muito sucesso, no mundo empresarial internacional.  Revelou-nos o seu entusiasmo com um empreendimento turístico alentejano, de grande vulto, em que se envolvera recentemente. Soube, há pouco, que, nessa mesma noite parisiense, ele tinha já preocupações com o seu estado de saúde. Mas nada nos deixou transparecer, salvo uma magreza que nos pareceu um tanto excessiva.

Encontrei a Maria Lúcia, pela última vez, há mais de um ano. Cruzámo-nos num centro comercial. Prometemo-nos um encontro que adiávamos há muito. Conheci-a no final dos anos 60, quando ela vivia com o Carlos Eurico da Costa, meu primo e meu grande amigo. Vinha do Brasil, professora universitária, interessada na literatura portuguesa, sobre a qual escreveu. Os serões lá em casa tinham imensa graça, com Orlando da Costa, José Cardoso Pires, Jacinto Baptista, Maria Velho da Costa e outras tantas figuras de um mundo literário lisboeta da época. Viajámos pelo país, passámos férias juntos, discutimos a vida, por horas perdidas de conversa. Essa mesma vida deu muitas voltas, o casal acabou  um dia e eu passei a ver a Maria Lúcia só a espaços. Comigo no Brasil, trocámos e-mails, mandei-lhe um livro que tinha escrito sobre a minha experiência no seu país, felicitei-a pelo imenso sucesso académico do seu filho André, um dos orgulhos da sua existência.

Um adeus para a Maria Lúcia e para o Henrique. Publicado por Francisco Seixas da Costa à(s) 23:05 9 comentários: Etiquetas: Figuras, Partidas

"Tour de France"

Estou a ver na televisão os ciclistas do "Tour de France" passarem em Champigny, na sua etapa derradeira deste ano, em direção ao centro de Paris. As imagens mostram-nos um panorama muito agradável, de jardins e de habitações, o que é um contraste com a localidade que, a partir dos anos 60, foi o destino primeiro de alojamento de milhares dos nossos compatriotas, à procura de uma sorte que o seu próprio país lhes recusava. 
Dos "bidonvilles" de Champigny, da lama e do frio dos que chegavam "a salto", apenas com a sua roupa e a sua vontade, resta hoje - felizmente! - quase nada. Mas todos temos a obrigação de continuar a manter uma memória de grande respeito pelo esforço magnífico dessa gente, cuja aventura honrará para sempre Portugal em terras de França.
Pode ser uma sugestão minha, mas quando revejo imagens de Joaquim Agostinho, arqueado sobre a sua bicicleta, numa das suas subidas para um sempre dramático "col", não consigo deixar de o ligar à imagem dos portugueses migrantes para terras de França, também no seu esforço trágico, que para muitos teve um merecido sucesso. Publicado por Francisco Seixas da Costa à(s) 15:49 2 comentários: Etiquetas: Comunidade, Desporto

sábado, 23 de julho de 2011

"Orelhas de aço"

Eu e o João Niza Pinheiro tinhamo-nos aprimorado para que o discurso que aquele ministro, de uma pasta técnica, ia proferir numa reunião internacional, numa certa cidade europeia, acabasse por ser uma bela peça de oratória.

Havia semanas que por lá estávamos como membros da delegação portuguesa, numa conferência em que esse ministro ia intervir, como o mais alto representante do governo português. Estudámos o tempo disponível e decidimos que havia que fazer uma "obra" para 7 a 10 minutos.

Com falaciosos argumentos de autoridade técnica, para termos as nossas mãos completamente livres na elaboração do texto, havíamos convencido o ministro, que estava há escasso tempo em funções, a afastar a hipótese do seu gabinete ter um "droit de regard" final sobre o discurso: adiantámos que só nós conhecíamos a "chave" dos equilíbrios que era preciso introduzir na mensagem, que havia que ter em conta certos aspetos (que não revelámos) que a presidência rotativa europeia gostava de ver refletidos em todas as intervenções nacionais, que havia pormenores de política externa que era importante fazer transparecer subtilmente no texto, etc. Nós trataríamos de tudo, ninguém precisava de se preocupar. Enfim, vetustas técnicas do MNE para evitar que alguém venha perturbar o nosso trabalho...
Obtida que foi a total "luz verde" do crédulo governante e arranjadas umas cervejas, umas sanduíches e boas doses de café, em um pouco mais de três horas de trabalho, comigo ao teclado e com o Niza Pinheiro a dar sugestões de frases, aviámos, num muito razoável francês (melhor o do João que o meu), uma intervenção que até tinha algumas subliminares graças de que eu e esse meu colega, agora embaixador num posto europeu, ainda hoje nos rimos. Ao final da noite, fomos deixar duas cópias do discurso ao hotel em que o nosso ministro se hospedava.
No dia seguinte, aguardámos pela chegada do governante, na imensa sala de conferências. Chegou bem disposto. Era um homem cordial e simpático, sem uma grande experiência das coisas internacionais, mas com uma boa bagagem técnica. Inteligente, deve ter percebido que o que lhe propúnhamos era perfeitamente aceitável. E era, de facto. A nós, agradou-nos a circunstância de ele ter gostado do texto. Missão cumprida, assim.
Neste tipo de reuniões internacionais, que contam com largas dezenas de delegações, cujos discursos se distribuem ao longo de vários dias, as salas estão, em geral, pouco compostas. Há muitos países cujos lugares estão mesmo sem ocupantes. Raramente um ministro ouve com atenção o discurso de outro, isto é, os oradores chegam apenas durante a intervenção que antecede a sua e, acabada que é a sua função, logo partem para contactos bilaterais. Ou para as compras, como muitas vezes é o caso...
Na sala, ao longo dos dias, orgulhosos atrás das placas com o nome dos países, ficam, em geral, os mais jovens funcionários das delegações. Compete-lhes, acabada que seja cada intervenção, dirigir-se à delegação de quem a proferiu e pedir uma cópia do texto. Pelo sim pelo não, esses funcionários novatos tomam também nota de algum aspeto que tenham por mais relevante, que haja surgido durante as intervenções, por forma a delas poderem fazer um registo, que será enviado às capitais, as mais das vezes acompanhadas dos textos proferidos. E que, salvo no caso de países com opinião decisiva, quase de certeza que ninguém lerá. Uma tarefe chata, mas que não pode deixar de fazer-se. Esses funcionários de plantão são comummente designados, entre nós, como os "orelhas de aço", porque têm de manter, em permanência, um auscultador plástico no ouvido, para acesso às traduções. Ora fazê-lo por horas seguidas coloca uma pressão na orelha externa, a qual chega dorida ao final do exercício. Perceber-se-á agora melhor o apôdo.
O nosso nóvel ministro chegou à reunião bem antes da sua hora, como sempre acontece com os oradores angustiados. Sentou-se no centro da delegação, conosco a rodeá-lo (guardo uma fotografia do instante). Chegado o momento da sua intervenção, foi chamado à tribuna pelo presidente da sessão e leu, para nosso descanso, num francês aceitável, o texto exato que lhe havíamos preparado. Recordo de antes ter visto marcadas a lápis, no exemplar que levou para o palanque, as pausas para respiração, prova de que estivera a ensaiar o discurso, na véspera ou nessa manhã. Coisa de "maçarico" mas, igualmente, de pessoa responsável.

O texto saíu-lhe fluído, escorreito... isto é, tal como o tínhamos escrito! No final da prestação, enquanto se dirigia ao seu lugar,, ressoaram na sala umas palmas oficiosas e tépidas, nem mais nem menos calorosas do que as que acolhem, neste tipo de reuniões, intervenções idênticas, do Burundi a... Portugal.
Recolhido o ministro ao conforto patrioticamente consensual da nossa bancada, uns nossos "parabéns!", ou "esteve muito bem!" sossegaram-no. Nesse instante, o largo bando de "orelhas de aço" presentes, quais abutres à procura de presa fácil, começou a avançar, de todas as partes da sala, sobre a nossa delegação, com a finalidade de colher exemplares do texto, que entretanto tínhamos fotocopiado às largas dezenas. Não foi essa, contudo, a interpretação do nosso inexperiente ministro. Convencido que todos esses diplomatas de deslocavam à delegação portuguesa para o cumprimentar, deixou-se ficar de pé, no centro e, para nosso indisfarçado embaraço, passou a distribuir apertos de mão, à esquerda e à direita, gerando espanto e orgulho nessa colmeia de adidos e de terceiros secretários, desses "orelhas de aço", de todas as cores e extrações geográficas, que mais não queriam do que obter simples cópias do discurso. Mas que acabaram presenteados, cumulativamente, com calorosos "merci beaucoup!". Foram alguns minutos em que esperámos, com ansiedade, o fim da romagem, sob o sorriso de alguns velhos "routiers" daquele tipo de eventos.
À saída, tivemos de retorquir ao ministro, que perguntava: "É sempre assim? Vem sempre tanta gente cumprimentar? O nosso discurso caiu bem, não caiu?" Claro que caíu! Publicado por Francisco Seixas da Costa à(s) 23:06 3 comentários: Etiquetas: Diplomacia portuguesa, Histórias da diplomacia, Relações internacionais

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Noruega

Há mais de três décadas, fui viver para a Noruega, por alguns anos. Era um dos países mais pacíficos do mundo. Recordo-me de ver o primeiro-ministro percorrer a pé a rua Karl Johan (na imagem), no caminho para a estação de caminho de ferro, que todos os dias o levava e trazia para o trabalho. Muitas vezes, cruzei-me com ministros que se deslocavam de bicicleta. Vivia-se então em Oslo um sentimento de segurança quase plena.
O rei da época, Olav V, costumava deslocar-se de elétrico, como qualquer vulgar cidadão. Um dia, testemunhei uma cena deliciosa. O soberano, já nos seus 80 e tal anos, conduzia placidamente um carro pelas ruas da capital, apenas com uma pessoa a seu lado. A certo passo, parou junto a uma passadeira, para deixar passar uma senhora. A meio da travessia, a senhora reconheceu o rei e fez-lhe uma grande vénia. O rei retribuiu o gesto e, por uns instantes, ambos repetiram as inclinações de cabeça, numa coreografia de mútuo respeito, recheada de sorrisos.
Era assim a vida na Noruega, nesse final dos anos 70, do século passado.
A Noruega é, de há muito, um país dedicado à paz. Talvez não por acaso, o respetivo prémio Nobel, contrariamente a todos os outros, é decidido e atribuído em Oslo. Ao longo de muitos anos, os governos noruegueses, de várias orientações, empenharam-se, em diversas ocasiões e cenários geopolíticos, em operações de paz decididas pelas Nações Unidas, sendo também protagonistas, de há muito, de importantes processos de ajuda ao desenvolvimento. Foi em Oslo, e com os noruegueses, que a causa palestiniana deu passos que só não foram decisivos porque Arafat, como alguns diziam, "nunca perdia uma oportunidade para perder uma oportunidade". A diplomacia norueguesa é conhecida como uma diplomacia de bem.
Ontem, uma bomba explodiu, causando muitas vítimas, junto à sede do governo norueguês. (Mais tarde, veio a saber-se que um outro ato celerado provocou largas dezenas de mortos). Ainda não se sabem bem as causas desta barbaridade. Mas tudo muda, até a pacífica Noruega.

Deixo aqui um abraço solidário a todos os meus amigos noruegueses, cidadãos de um país com o qual Portugal tem, desde sempre, excelentes relações, reforçadas pelo generoso apoio dado pela Noruega ao processo de desenvolvimento português, no pós-25 de abril. Publicado por Francisco Seixas da Costa à(s) 23:07 31 comentários: Etiquetas: Noruega

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Iliteracia política

Alguma curiosidade levou-me a ler um livro, recentemente publicado, sobre a vida do nosso parlamento, com historietas nele ocorridas. Literatura de férias...
O mais surpreendente na publicação foi a ausência de um "editing" eficaz, que permitisse evitar erros como dizer que foi "Costa Gomes" quem fez o 28 de maio de 1926, que o presidente da Câmara Corporativa se chamava Luís "Pico" Pinto ou, finalmente, que Casal Ribeiro ainda perorava no plenário dos anos 80.
E não se pode exterminá-los? Publicado por Francisco Seixas da Costa à(s) 23:05 18 comentários: Etiquetas: Exclamações, Livros, Política portuguesa

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Despedida do trema

Anteontem, falou-se aqui do Acordo ortográfico. Hoje vou falar do trema.

Há muito que, em Portugal, o trema - esses dois pontinhos sobre certos "u", para obrigar a pronunciá-los isoladamente - deixou de existir. Mas, no Brasil, só agora, com a implementação do Acordo Ortográfico (é verdade, no Brasil também mudam algumas coisas...), o trema vai desaparecer. E, nesse país, resolveu despedir-se com uma bela carta, que me chegou e que reproduzo:

Estou indo embora. Não há mais lugar para mim. Eu sou o trema. Você pode nunca ter reparado em mim, mas eu estava sempre ali, na Anhangüera, nos aqüíferos, nas lingüiças e seus trocadilhos por mais de quatrocentos e cinqüenta anos. Mas os tempos mudaram. Inventaram uma tal de reforma ortográfica e eu simplesmente estou fora. Fui expulso para sempre do dicionário. Seus ingratos! Isso é uma delinqüência de lingüistas grandiloqüentes!... O resto dos pontos e o alfabeto não me deram o menor apoio...  A letra U se disse aliviada porque vou finalmente sair de cima dela. O dois pontos disse que eu sou um preguiçoso que trabalha deitado enquanto ele fica em pé. Até a cedilha foi a favor da minha expulsão, aquele C cara de pau que fica se passando por S e nunca tem coragem de iniciar uma palavra. E também tem aquele obeso do O e o anoréxico do I. Desesperado, tentei chamar o ponto final para trabalharmos juntos, fazendo um bico de reticências, mas ele negou, sempre encerrando logo todas as discussões.... A verdade é que estou fora de moda. Quem está na moda são os estrangeiros, é o K e o W, "Kkk" pra cá, "www" pra lá. Até o jogo da velha, que ninguém nunca ligou, virou celebridade nesse tal de Twitter, que aliás, deveria se chamar TÜITER. Chega de argüição, mas estejam certos, seus moderninhos: haverá conseqüências! Chega de piadinhas dizendo que estou "tremendo" de medo. Tudo bem, vou-me embora da língua portuguesa. Foi bom enquanto durou. Vou para o alemão, lá eles adoram os tremas.E um dia vocês sentirão saudades. E não vão agüentar!... Nós nos veremos nos livros antigos. Saio da língua para entrar na história. Adeus,  TREMA Publicado por Francisco Seixas da Costa à(s) 23:03 28 comentários: Etiquetas: Brasil, Humor, Língua portuguesa

"Serviço público" - restaurantes do Minho (revisto)

Pode consultar aqui a minha lista pessoal de restaurantes do Minho. Publicado por Francisco Seixas da Costa à(s) 10:33 33 comentários: Etiquetas: Gastronomia

terça-feira, 19 de julho de 2011

Ulan Bator

Há dias, disse à embaixatriz da Mongólia em França, sentada ao meu lado num jantar, que um sobrinho meu ia, de moto, a caminho da capital do seu país, Ulan Bator, partindo de Lisboa. 
Fiquei com a sensação que ela achou que era uma "história" e disse aquele "how interesting!" que a boa educação recomenda, em sociedade, que acolha aquilo em que não se acredita de todo. E logo mudou de conversa.
Tenho pena de não poder dizer-lhe, hoje, que ele já lá chegou.
Bom regresso, Paulo! Publicado por Francisco Seixas da Costa à(s) 23:39 2 comentários: Etiquetas: Notas soltas

Federalismo europeu

Durante muitos anos, o conceito do federalismo europeu fez o seu caminho com base na ideia de que os cidadãos, satisfeitos com a Europa que já tinham, acabariam por ganhar a convicção de que terem ainda "mais Europa" seria a boa receita para um seu futuro de progresso, como até então tinha acontecido. Essa ideia não vingou a partir do momento em que a Europa "tocou" nas temáticas mais próximas do "core" da soberania dos Estados e em que, simultaneamente, se verificou que a dinâmica de certas políticas, por razões próprias ou conjunturais, não tinha um comportamento positivo.
A derrotada Constituição europeia não era - ao contrário do que alguns desatentos pensaram - um passo para um destino federal, mas simplesmente um modelo sofisticado de oligopólio que, com outras roupagens, acabou por resultar no Tratado de Lisboa. Este, tal como aquela, foi a forma de garantir a quantos se haviam habituado a controlar o processo europeu antes do "grande alargamento" que não veriam o seu poder relativo afetado após a concretização deste. Mas, para que tal fosse possível, era necessário reduzir drasticamente o papel do principal elemento proto-federal europeu, a Comissão europeia. O que foi feito.

A ideia do federalismo volta agora a surgir no discurso europeu, mas por um motivo completamente oposto: pela ineficácia das políticas europeias em vigor e pelo fracasso de vários aspetos do atual projeto, como sendo a solução, embora sectorialmente fixada no caso da moeda, que poderia permitir encontrar uma saída para a crise. A grande ironia do atual debate é que se pretende "federalizar" a Europa, num tempo em que muitos Estados se sentem, à sua escala nacional interna, confortáveis com a deriva intergovernamental que entretanto ocorreu, muito por via do Tratado de Lisboa.
O caráter contraditório de tudo isto é que, no primeiro caso, o passo federal iria corresponder à evolução da vontade democrática dos povos e, no caso presente, ele configuraria apenas a consagração de um voluntarismo, forçado por um imperativo de um estado político de necessidade, em contra-ciclo com a própria dinâmica dominante no projeto europeu.
A politica não se faz de "fezadas". Mas, devo dizer, não acredito que seja possível instituir um modelo alternativo ao que temos, com um grau de integração ou "federalização" superior, se se pretender que ele venha a abranger todos os "sócios" atuais. E, mesmo nesse modelo mais restrito, essa "federação" nunca passaria de uma espécie de "condomínio" de oportunidade, uma espécie de "cooperação reforçada" de natureza sui generis .

Mas aguardemos, para ver. Publicado por Francisco Seixas da Costa à(s) 10:00 15 comentários: Etiquetas: Comentários diplomáticos, Economia, União Europeia

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Acordo Ortográfico

Eu sei que há quem não goste do Acordo ortográfico ( nestas expressões, a segunda palavra passa a escrever-se com minúscula ). Eu sei que há quem nunca tencione aplicá-lo. Mas ele vai tornar-se obrigatório na documentação oficial a partir de 1 de janeiro de 2012 ( os meses, tal como as estações do ano, passam a escrever-se com minúscula ).
Por essa razão, para quantos queiram conhecer o que vai mudar, de facto ( a palavra facto não muda, contrariamente a todos os mitos, porque vamos continuamos a escrever as letras que pronunciamos ), na escrita oficial portuguesa, pode consultar uma versão simplificada aqui. Publicado por Francisco Seixas da Costa à(s) 23:09 16 comentários: Etiquetas: Língua portuguesa

Olá, Moledo!

Publicado por Francisco Seixas da Costa à(s) 10:45 8 comentários: Etiquetas: Exclamações

domingo, 17 de julho de 2011

Dicionário

A trabalheira que algumas pessoas têm para explicar uma coisa tão simples.
(com a devida vénia aqui) Publicado por Francisco Seixas da Costa à(s) 23:14 7 comentários: Etiquetas: Exclamações

O outro défice

Todos os agentes da lisboeta esquadra das PSP das Mercês meteram baixa, com atestado médico, por terem ficado psicologicamente afetados, numa tocante reação simultânea, pela decisão judicial que condenou colegas seus, culpados de um crime de agressão gratuita a um cidadão estrangeiro.
Ninguém pode ficar indiferente à sensibilidade fraternal daqueles agentes. De idêntica dignidade é o comportamento, de um unanimismo que honra o juramento de Hipócrates, dos zelosos profissionais da classe médica que não hesitaram em atestar a tocante fragilidade psicológica dos polícias.
É com gente desta estirpe que um país se constrói. Publicado por Francisco Seixas da Costa à(s) 13:18 23 comentários: Etiquetas: Notas soltas

sábado, 16 de julho de 2011

Férias

De uma cadeira para a outra, este blogue muda de registo durante as férias.
Fará posts? Fará pausas? Calado não é certamente, porque não foi habituado assim. É talvez um outro ritmo, mas no passado, desde sempre, nem um só dia ficou, sem registo do caminho.
(Fiquei a olhar para o parágrafo anterior e, nem sei bem porquê, fez-me lembrar alguma coisa...) Publicado por Francisco Seixas da Costa à(s) 23:06 10 comentários: Etiquetas: Blogue(s), Exclamações

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Olá, Lisboa!

Publicado por Francisco Seixas da Costa à(s) 23:07 12 comentários: Etiquetas: Exclamações

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Olá, amigo!

Estou contigo. Entendo que merecias ser tratado, em Portugal, de outra forma. O modo, ainda que simpático, como o polícia te interpelou, há dias, naquela esquina do Terreiro do Paço, soou a estranho. Que diabo! Chamar-te a atenção pelo fumo! Como se isso fosse um grande crime, no meio da rua, com a tua idade...



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